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Cláudio Santoro (1919–1989)

Cláudio Santoro nasceu em 23 de novembro de 1919 em Manaus, capital do estado do Amazonas e faleceu no dia 27 de março de 1989 em Brasília, D.C. Foi compositor, regente e violinista. Estudou violino com Edgardo Guerra no Conservatório de Música do Distrito Federal, Rio de Janeiro, graduando-se em 1936. Depois de suas primeiras tentativas na composição tornou-se aluno de Hans-Joachim Koellreuter quem o introduziu à técnica dos doze sons. Em 1946 recebeu uma bolsa de estudos da Fundação Guggenheim, mas por sua ideologia política foi impossibilitado de conseguir o visto para EUA que excluíam os partidários do comunismo socialista. Em 1947, com inúmeras recomendações inclusive de Villa-Lobos obteve uma bolsa de estudos concedida pelo governo da França para estudar no Conservatório de Paris. Na França estudou composição com Nadia Boulanger e regência com Eugène Bigot. Em 1948 representou o Brasil no Segundo Congresso de Compositores e Críticos Progressistas em Praga. Também em 1948 recebeu um prêmio da Fundação Lili Boulanger em Boston de um júri formado por Stravinsky, Serge Koussevitzky, Nadia Boulanger e Aaron Copland.Retornando ao Brasil em 1949, ficou um ano e meio sem trabalhar, vivendo na fazenda da família da sua primeira esposa, cultivando a terra e também compondo.

De 1951 a 1953 trabalhou como diretor musical da Rádio Clube do Brasil, no Rio de Janeiro. Ensinou composição na Escola de Música de Santos (1953-54), tornou-se regente da Orquestra Sinfônica Brasileira (Rio de Janeiro), e diretor artístico da seção musical da Fundação Cultural do Distrito Federal (1956). Em 1962 Santoro, foi convidado a coordenar e organizar o currículo musical da Universidade de Brasília. Mas uma vez o fator político o levou a rejeitar o trabalho em Brasília. Em 1968 aceitou o convite do governo Alemão para ajudar na organização do Centro de Informação e Difusão para a Música Latino-americana no Institut Für Vergleichende Musikstudien und Dokumentation.Santoro foi professor de composição e regência em Heidelberg-Manheim Hochschule für Musik de 1970 a 1978. De volta ao Brasil trabalhou na Universidade de Brasília como Diretor da Orquestra Nacional e do Departamento de Música desde 1979 até o seu falecimento em 1989. Santoro divide sua própria evolução como compositor em quatro fases diferentes: 1-período atonal, seguido do período dodecafônico de 1939-19472-período de transição, quando não escreveu muita coisa de 1948-19493-período nacionalista de 1950-19604-seu último período depois de 1960, quando retorna ao serialismo e à música eletroacústica. Suas obras para piano representam uma pequena parcela do total de suas obras, mas podemos encontrar obras para piano de cada uma de suas fases composicionais. Durante sua vida, Santoro focou-se na música orquestral e música de câmara.

Em suas obras para piano mostra interesse constante em sonoridades abertas, ilustradas no uso de passagens em oitavas. Santoro contrasta estas sonoridades abertas com intervalos de quarta e segundas incluindo inversões de sétimas e nonas. Alcança o contraste pela combinação de diferentes texturas. Na maioria de suas obras para piano encontramos texturas cordais alternadas com não cordais, linhas contrapontísticas. Ele investiga timbres especiais tocando a mesma célula melódica em diferentes registros do piano. “Eu usei as técnicas dodecafônicas à minha maneira. Em todas as minhas composições dodecafônicas eu primeiro crio o tema e a partir deste tema extraio o material sonoro que me agrada, então eu escrevo as séries, que algumas vezes estão completas. Quando não, eu as completo para utilizá-las posteriormente.
A composição fica muito diferente deste modo” (Excerto de uma entrevista gravada em 1975 fornecida por Jeanette Alimonda a Godoy, 1994, p.33).

 

Características das obras para piano de Santoro

  1. o freqüente uso do uníssono e oitavas em extensas passagens.

  2. o intervalo de segunda incluindo suas inversões como sétimas e nonas.

  3. o freqüente uso do intervalo de quarta, às vezes em movimento progressivo paralelo de quartas.

  4. constante idioma cromático, apesar de apresentar-se com intenções e humor diferentes

  5. em suas
    obras nacionalistas, prevalece a textura homofônica

  6. a exploração de todos os registros do piano do mais grave ao mais agudo

  7. o freqüente uso do padrão rítmico de semínima pontuada/semínima pontuada/semínima e suas variantes

  8. a repetição da frase inicial ou da ideia da obra

  9. evita a citação direta da linguagem popular e folclórica (escreveu seus próprios temas e motivos evocando temas brasileiros)

  10. o consecutivo uso de sequências geralmente apoiadas em intervalos dissonantes.

  11. o uso do ritmo brasileiro sincopado.

 

Nascimento: 23/11/1919

Morte: 27/3/1989

Partitura

Gravações

Sonatina Infantil (1946)

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