Sonatinas Latino-Americanas para Piano
Material Suplementar
Dinorá de Carvalho (1895–1980)
Nascida em 1895 na cidade de Uberaba – Minas Gerais, e falecida em 1980, em São Paulo – Capital, Dinorá de Carvalho dedicou toda sua vida à música, principalmente estudo, criação e divulgação da música tipicamente nacional. Aos seis anos foi matriculada no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e já aos sete anos fez sua estréia numa audição tocando peças de Mozart e Mendelssohn; aos oito improvisava peças e aos quatorze compunha músicas que interpretava ao piano. Diplomou-se aos quinze anos (1916) e, a partir daí, apresentou-se com sucesso nas principais cidades brasileiras, sendo muito apreciada como “virtuose”. Em 1921 foi agraciada pelo Ministério da Cultura com uma bolsa de estudos em Paris, onde estudou com Isidor Philip (1863-1958), tendo também se apresentado por várias capitais européias. Em 1924 voltou ao Brasil e foi incentivada por Mário de Andrade, que a elogiara em sua coluna de crítica musical, a se dedicar à composição. Mário a apresentou a Lamberto Baldi, com quem Dinorá estudou harmonia, contraponto, fuga e composição. Além de Baldi, estudou com Martin Brawnvieser, Ernest Mehlich e Camargo Guarnieri.
Elogiada por Villa-Lobos, aplaudida no mundo todo, teve suas obras executadas por grandes nomes do cenário musical nacional e internacional como Guiomar Novaes, Bidu Sayão e os Maestros Camargo Guarnieri, Túlio Colacciopo, Souza Lima, Eleazar de Carvalho e Ernest Mehlich. Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Música, a primeira a se formar maestrina em nosso país, e também a fundar uma orquestra só de mulheres, a Orquestra Feminina de São Paulo, primeira do gênero na América do Sul. Foi uma das raras compositoras a escrever para instrumentos solistas; corais; coral e orquestra; conjuntos de câmara; piano e orquestra; orquestra sinfônica; teatro e balé. Professora festejada, Dinorá recebeu vários prêmios e condecorações como compositora e intérprete. Dentre eles destacamos o convite feito pelo Ministério da Cultura, em 1960, para seguir em Missão Cultural para a Europa apresentando suas obras e de outros compositores brasileiros; o Prêmio de Melhor Obra Vocal de 1977, oferecido pela APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte, por sua obra “Missa de Profundis” para quatro solistas, coro, orquestra e percussão que, regida pelo Maestro Túlio Colacciopo, fez o público do Theatro Municipal emocionar-se e aplaudi-la de pé.
Dinorá compôs cerca de quatrocentas obras, entre elas: “Contrastes” (para piano e orquestra), “Ó Que Noite Bonita” (para piano), “Procissão de Cinzas em Pernambuco” (para coro), “A Menina Preta que Buscava Deus” (canto nagô para canto e piano), Arraial em festa (suite sinfônica) e Três Danças Brasileiras (para piano, cordas e percussão), sempre procurando divulgar a música tipicamente brasileira.
Nascimento: 1895
Morte: 1980